Quatro ações são desencadeadas ao encontrar uma pessoa: doação, conhecimento, aceitação e memória. Entretanto, existem dois tipos de pessoas que desencadeiam uma quinta ação: o arrependimento. Esses dois tipos são os amados e os odiados.

A doação surge a partir do momento que ambas as partes doam seu tempo ou espaço para o convívio com o novo indivíduo, compartilhando estes os momentos vividos que trazem em si, colaboram espontaneamente para o conhecimento que o outro terá de si.

A partir do conhecimento, a aceitação pode ou não prevalecer. Se a aceitação prevalecer, os indivíduos terão lembranças que ao longo do tempo podem tanto fortalecer a aceitação como enfraquecê-la, exigindo assim mais doação e mais conhecimento sobre o outro. Se a aceitação for negativa, a rejeição é imediata e as lembranças serão amargas, desprezíveis e irrelevantes. Mas, nada torna a memória do encontro irrevogável, tanto para o bem como para o mal.

Justamente pela natureza irreversível das quatro ações que um ser humano desperta em nós ao cruzar nosso caminho, que surge a quinta ação, chamada de arrependimento. O arrependimento nada mais é do que uma ação que com todas as forças tenta anular o tamanho das primeiras ações. Ela surge somente quando encontramos dois tipos de pessoas aquelas que amamos e aquelas que odiamos.

O arrependimento despertado pela pessoa amada é aquela vontade de querer que a doação que se deu ao outro fosse maior (além da que se recebeu também) e que o conhecimento sobre a vida do outro fosse mais abrangente, fortalecido com riqueza de detalhes e em todos os níveis possíveis. Todas essas ações são alimentadas pela aceitação que se tem pelo outro de forma desproporcional e pelas lembranças que se traz na memória.

O arrependimento despertado pela pessoa odiada surge por querer revogar o tempo doado ao indivíduo que não valeu a pena e que o conhecimento sobre a existência do outro jamais existisse. A aceitação nesse caso foi um mero engano de avaliação, quando se devia ter dado uma sentença de rejeição que passa a alimentar o indivíduo. A memória por fim fortalece essa fúria fornecendo lembranças irrevogáveis dos momentos compartilhados.

Sendo assim, nenhuma pessoa passa ilesa por nosso caminho, sempre deixando para trás tais consequências em nossas vidas, sejam essas consequências inconscientes ou não, mas elas existem e estão ali armazenadas em nossa alma. Pense bem na próxima vez que cruzar o caminho de alguém ou permitir a chegada repentina de um novo indivíduo em sua vida.