Um belo dia olhei para a programação do cinema e com o tempo livre para assistir alguma coisa somado ao horário de exibição mais próximo do cinema, resolvi entrar e assistir Maze Runner - Correr ou Morrer, sem nunca ter ouvido falar na série, exceto por ter visto o trailer algumas semanas antes e ter perdido o fôlego com as cenas do labirinto e não fiquei sem fôlego somente no trailer, o filme inteiro é vertiginoso e é uma surpresa a cada minuto até o momento final. 
Com os créditos finais subindo, não tive dúvidas: tinha que comprar o segundo livro da série. Por que tal desespero? Com o final do filme de uma forma tão estrondosa e aquele mundo pós-apocalíptico que me foi apresentado, eu não aguentaria esperar mais um ano até ver a adaptação da segunda parte. 
Com isso comprei o livro, no início de outubro e as primeiras vinte e cinco páginas eu mastiguei ao longo de semanas pois estava cuidando da organização do meu aniversário e outras coisas. Então, depois desse período consegui devorar o livro em 3 dias, chegando a ficar até de madrugada acordado sem conseguir largar a obra num capítulo calmo onde eu pudesse colocar minha cabeça no travesseiro e não ficasse pensando: e o que vai acontecer com Thomas? 



RESENHA

Em A Prova de Fogo (The Scorch Trials), quando todos os clareanos achavam que estavam sãos e salvos, a organização CRUEL lhes dá mais uma rasteira no enredo, fazendo com que o mundo de todos caia e os desafiando a uma nova missão de sobrevivência e cura. Antes disso, Teresa, a única menina do grupo desaparece e no lugar dela nos é apresentado um novo personagem chamado Aris, com a chegada de Aris ficamos sabendo da existência de um segundo grupo formado por meninas que viveram em um segundo labirinto e passaram pelas mesmas provações até conseguirem escapar da clareira, sendo Aris o único garoto entre elas (situação semelhante a de Teresa). 
Nesse momento da história, todos os personagens começam a perceber que o CRUEL qualificou e destinou cada um deles a ser uma coisa nessa nova etapa: traidor, líder, aquele que tem que ser eliminado, etc. 
Os Cranks, criaturas que eram humanos que acabaram sucumbindo ao Fulgor (a doença mortal da história), surgem e acabam mostrando a gravidade do vírus (são tipo zumbis; espero ansiosamente a adaptação para as telonas para ver se o visual dos cranks me agrada e quem sabe todos nós teremos uma nova opção de fantasia de Halloween para o ano que vem, hein galera?). Uma das cenas mais assustadoras desse início também é um refeitório repleto de corpos mortos e degolados surgindo pelo caminho. 
Um representante do CRUEL, apelidado pelos clareanos de Homem-Rato, aparece para dar aos personagens a nova missão a ser cumprida: todos terão que atravessar o deserto e chegar até o Refúgio Seguro. 
Os percalços dessa vez são esferas metálicas flutuantes que degolam cabeças, o próprio deserto e suas condições devastadoras como fome, sede, calor, cansaço, etc. Nessa parte, eu fiquei assim muito preocupado com a higiene deles, pois higiene zero nessa história, papel higiênico não é mencionado e banho tampouco, desodorante então nunca ouviram falar nesse futuro. É algo que agrega a gente a perceber realmente como é agoniante a vida dos clareanos, viver suando no deserto sem poder se refrescar ou ter uma cama para dormir... Nossa! Pior vida, enfim.
No meio do caminho até o Refúgio Seguro existe a Cranklândia, uma cidade abandonada onde as pessoas infectadas com vírus do Fulgor são levadas para viver, ou melhor, sucumbirem a loucura até morrer. Nessa parte nos são apresentados dois novos personagens também: Jorge, um líder latino de um grupo de cranks recém-chegados e a bela, corajosa e inteligente Brenda. Brenda começa a formar um triângulo amoroso entre ela, Thomas e Teresa.


Tenho que confessar que enquanto eu lia eu imaginava o Jorge sendo interpretado por Antônio Banderas (sim, eu sei, é clichê imaginar que só ele pode fazer todos os personagens assim que falem um pouco de espanhol). Os dois personagens assustam, nos cativam e ao mesmo tempo nos deixam com uma pulga atrás da orelha sobre eles até o final (ou pelo menos eu, que aprendi a não confiar em nada, nem ninguém no mundo de James Dashner). Aliás, o autor deixa bem claro que nessa altura do campeonato não devemos confiar em absolutamente nada, nem no que os clareanos aparentemente acham que estão vendo. Doido né? Mas é CRUEL movendo seus planos. 
A história começa a ficar agoniante quando eles cruzam com demais cranks, se perdem na cidade, encontram o grupo das meninas do labirinto, até chegar ao Refúgio Seguro. A vida de Thomas corre perigo toda hora e parece que ele está destinado a morrer a cada instante.  

NOTA 8,6
Acertos:
- Leitura vertiginosa e de fazer nossa cabeça rodopiar sem deixar para amanhã o próximo capítulo.
- Novos personagens como os demais grupos e a nova situação do deserto. Ao contrário da clareira onde todos estavam aprisionados, no deserto eles estão livres, porém no meio do nada, fazendo com que tecnicamente continuem presos, é mais agoniante, afinal eles não tem a fazenda, seus abrigos, etc.
- A duvidosa Teresa que fica confundindo a nossa cabeça ao longo de todas as páginas, dando gás aos mistérios da história. 

Erros:
- Superexposição de sentimentos, pensamentos do autor, às vezes ele enrola demais numa descrição, nas sensações de Thomas, repetindo muitas vezes coisas que são óbvias para os leitores. Me agoniava, tiveram partes assim que eu via que ele ia ficar enrolando muito até eu chegar a próxima fala de personagem, que eu pulava e ia direto para a ação. 
- Ainda com essa superexposição, não temos ideia da natureza psicológica dos demais personagens e ficamos sem muitas explicações sobre seus modos de ser ou o que aconteceram com eles em momentos que ficaram sumidos da história.
- Um final de tirar o fôlego? Sim. Um final honesto com o leitor? Não. Eu acho que ainda que você faça uma saga movida ao suspense e a ação, você deve amarrar alguns pontos no fim de cada história até chegar a grande conclusão da obra no último livro. Eu achei um final bem covarde com o leitor, sabe, ainda que você queira amarrar esse leitor ao próximo livro, você tem que concluir a história que está sendo contada no livro em questão. Parece uma forma bem covarde de fazer o leitor ter que comprar o próximo livro e último que conta a história de Thomas e seus amigos para ter suas respostas. Não é justo, sérião. Quer deixar a gente preso ao próximo livro? Conclui a história desse que estamos lendo e num epílogo surge com uma situação que deixe um cliffhanger, ué.

SOBRE A ADAPTAÇÃO


Então, Maze Runner - A Prova de Fogo já está confirmado para estrear nos cinemas em 18 de setembro de 2015. A adaptação ainda está em fase de pré-produção e com isso alguns atores já estão sendo confirmados, devo ressaltar que fiquei bem feliz com as escolhas, a maioria surge da mesma forma que imaginei enquanto estava lendo o livro, tirando o Homem-Rato que eu imaginava ser mais velho e carrancudo.

Aiden Gillen interpretará o Homem-Rato, uma espécie de porta-voz do CRUEL
Jacob Lofland interpretará Aris
Rosa Salazar interpretará Brenda, uma crank recém-chegada

Giancarlo Esposito interpretará o líder-crank Jorge